FHORESP e ABCF defendem volta de Sistema de Controle para combater fraude em destilados

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Em nota conjunta, entidades alertam que Sicobe foi desativado em 2016, facilitando o mercado da adulteração de bebidas no País; segundo FHORESP, queda no movimento no setor chegou a 30%, de uma semana para cá, e consumo de destilados sofreu redução de 50%, no período

A crise da contaminação de bebidas com metanol, com diversos casos suspeitos registrados em diferentes partes do País, levantou o debate sobre o controle e a segurança do comércio dos destilados no Brasil. A FHORESP e a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) emitiram, nessa segunda-feira (6/10), nota conjunta, pedindo, entre outras providências, o retorno do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), extinto em 2016, e que tinha com principal função o rastreamento das bebidas.

Ambas entidades afirmam no documento que o cenário de intoxicações e de mortes causadas em consequência da contaminação por metanol, nos últimos dias, expõe a fragilidade da fiscalização e compromete a credibilidade do setor de bebidas e de Alimentação Fora do Lar. Além disso, com a crise, segundo a FHORESP, a queda no movimento de casas noturnas e de bares chegou a 30%, de uma semana para cá, enquanto o consumo de destilados sofreu redução de 50%, no período.

A falsificação de destilados cresceu 25,8% entre 2023 e 2024, de acordo com a ABCF, e já atinge 36% das bebidas comercializadas, conforme estudo divulgado pela FHORESP em abril deste ano.

O Sicobe, criado em 2008 para combater sonegação e adulteração, foi desativado em 2016. “A ausência de um controle efetivo, como o do Sicobe, facilita a ação do crime organizado e coloca em risco a vida dos cidadãos, o que é inaceitável, e atenta, também, contra o sustento e a geração de empregos em todo o setor de bares e de restaurantes, tão importante para a Economia brasileira”, afirmam as entidades em trecho da nota.

Para o diretor-executivo da FHORESP, Edson Pinto, o momento requer ações imediatas e que envolvam a fiscalização na cadeia produtiva, principalmente no que tange o rastreio das bebidas. Neste sentido, cabe à Receita Federal a decisão de reativar o Sicobe. “Estamos numa emergência sanitária e agindo no escuro. É preciso que o Brasil retome o sistema de verificação da produção das bebidas desde a origem. Seria uma forma de fechar o cerco contra as falsificações. Não sabemos ainda a dimensão dos lotes contaminados. Contudo, é hora de repensar como o Brasil tem atuado no controle do comércio de bebidas”, considera.

Logística reversa
O diretor de Comunicação da ABCF, Rodolpho Ramazzini, também faz alerta sobre o descarte dos vasilhames de vidro. Em meio à crise da contaminação, o destino dos frascos virou alvo de especulação. No entanto, segundo a nota da FHORESP e da ACBF, antes de criar novos mecanismos que onerem os estabelecimentos, é preciso lembrar que, no Brasil, já existe a logística reversa, para o destino correto das garrafas. “Já temos normas federais que tratam do ciclo dos vasilhames. A grande maioria retorna para a indústria, que, ao reutilizar os vidros, reduz os custos e contribui com o Meio Ambiente. Adicionar medidas, como a trituração, imputa aos estabelecimentos responsabilidades sobre a destinação dos vasilhames”, pontua Ramazzini.

Crise
O número de casos de intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol em São Paulo subiu para 192. Deste número, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 178 são investigados e há 14 confirmações. O registro de mortes está em nove, sendo sete em investigação e duas confirmadas. No estado, 26 municípios já registraram suspeitas.

Altamente inflamável e tóxico à saúde humana, o metanol, também conhecido como álcool metílico, é incolor e inflamável, com cheiro semelhante ao da bebida alcoólica comum.

Utilizado na formulação de tintas, combustíveis e adesivos, o composto também aparece, em pequenas quantidades, no processo de fermentação de frutas e vegetais. Se consumido em grande quantidade, o metanol pode causar cegueira e até ser letal.

CONFIRA A NOTA

CONFIRA A REPERCUSSÃO NA IMPRENSA:

SBT (entrevista Edson Pinto)

SBT (entrevista Enio Miranda)

Record (entrevista Enio Miranda)

UOL (entrevista Enio Miranda)

Revista Oeste (entrevista Edson Pinto)

JovemPan News (entrevista Edson Pinto)

TV Diário (entrevista Edson Pinto)

TV Thathi (entrevista Enio Miranda)

Metrópoles (entrevista Edson Pinto)

Exame

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